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Brumado Agora

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres

Sábado, 22.Fev.2014 | 09h00




O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

O entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora nasceu em Contendas do Sincorá, em 12 de fevereiro de 1944 (Dia de Carnaval), mas se considera brumadense de coração. Filho de Oflávio da Silveira Torres e Bemvinda Novaes Jardim, Antônio Novais Torres casou-se com Rosa Soares da Silva em 1973, com a qual constituiu família e teve os filhos : Vanusa, Fábio, Adriana e Ana Ligia, que lhes proporcionaram a alegria dos netos : Gabriel, Pedro Henrique, Felipe, Thiago, Isabela e Larissa. Apaixonado pela leitura, além de comerciante, Antônio Torres foi membro do PMDB, ex-PTB, é membro/ativo fundador da ALAB (Academia de Letras e Artes de Brumado), conselheiro do Jornal do Sudoeste para o qual escreve crônicas, contos e biografias – textos polígrafos, tem inúmeros trabalhos publicados nos jornais Tribuna do Sertão e contabiliza, até hoje, 150 biografias  e mais de 700 artigos. Sua paixão pela escrita ainda é tão presente em seu cotidiano que, em breve, lançará em Brumado o livro intitulado  “Crônicas, Contos & Memórias: Da Vila do João Amaro ao sertão de Brumado”. Toda a história desta notável personalidade será contada em uma entrevista realizada em sua residência. Confira.

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Café com o Brumado Agora – Conte-nos um pouco sobre o início da sua trajetória.

 

Antônio Torres – Nasci em Contendas do Sincorá, mas faço questão de salientar que Brumado é minha terra de coração. Ainda quando criança, por volta dos 7 anos de idade, lembro que morei um período com minha mãe na cidade de Salvador, onde, em frente ao  Plano Inclinado eu trocava moedas de maior valor pelas adequadas para as pessoas terem acesso ao bondinho do plano inclinado, além de vender outros produtos. Inicialmente, estudei  em escola particular, parte do primário na cidade de Cachoeira , embora residisse em São Félix. Daí minha família se mudou para João Amaro, município de Iaçu, onde conclui o primário em escola pública, (tendo como professoras dona Vanju, Nívia e Vânia). Neste período, trabalhei em diversas casas comerciais, como balconista. Em seguida, a convite do meu pai , Oflávio da Silveira Torres, vim para Brumado, indo morar, inicialmente, na pensão do senhor Mindu e depois, com Ivete Rocha.  Já instalado aqui em Brumado, por volta de 1958, refiz o 5º ano primário no Grupo Escolar Getúlio Vargas. Nesse mesmo ano, fiz exame de admissão ao ginásio e, com o resultado positivo, ingressei no Ginásio General Nelson de Mello (GGNM), em 1959, concluindo o curso ginasial em 1962. Logo depois, fui estudar em Vitória da Conquista, onde morei, com meu primo Neuton Carvalho Torres e sua esposa. Depois, mudei-me para uma pensão. Em Vitória da Conquista, estudei Instituto de Educação Euclides Dantas, conhecido também como Escola Normal, fazendo aí os dois primeiros anos do curso científico. Durante esse período, trabalhei na prefeitura sob a orientação do Engenheiro Mário Seixas, no departamento de engenharia, na gestão do prefeito Dr. Orlando Leite, recadastrando os imóveis para a cobrança do IPTU.

 

Café com o Brumado Agora – Quais atividades o senhor exercia neste período?

 

Antônio Torres - Em 1964, após envolvimento com a política estudantil, fui para São Paulo para me livrar da polícia (risos),porque eu me envolvi com o processo ideológico comunista  e houve a revolução, inclusive, a polícia esteve em minha casa me procurando , após ter prendido alguns do meus amigos, mas eu “me mandei” (risos).  Lá meu tio Alvair Torres me encaminhou para a cidade de Santo André, enquanto não arrumava emprego, trabalhei com um senhor de origem judaica, o senhor Abraão, que me pagava o pensionato em troca do serviço como vendedor, nos bairros da cidade, vendendo peças de algodãozinho, bramante e cobertores. Em seguida, trabalhei  na empresa CVB – Cia Comercial de Vidros do Brasil, como auxiliar de escritório. Ainda em Santo André, conclui 3º ano do científico, prestei vestibular, mas não fui bem sucedido, e após um treinamento para gerentes na sede da CVB, fui aprovado e promovido a gerente para administrar a filial de Vitória da Conquista (por escolha), e novamente nesta cidade conheci  minha  esposa Rosa Soares da Silva, com a qual tive quatro filhos. Em Conquista, fiz  ainda o curso de Técnico em Contabilidade no Colégio Edvaldo Flores, trabalhei como auxiliar administrativo na COSAEM e em maio de 1973, ingressei na COVEPE (Companhia de Veículos e Peças S.A.), autorizada da Volkswagen, onde trabalhei até março de 1980. 

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Café com o Brumado Agora – Quando o senhor passou a morar definitivamente em Brumado?

Antônio Torres - Em 1980. Novamente a convite do pai, para formar uma sociedade com meu irmão Oflávio Torres Júnior, fundando a firma Electra, cuja sociedade foi desfeita por conveniência das partes, porque eu queria agregar a loja materiais de construção e eles não. Desfeita a sociedade, fundei a empresa Hidroluz Ltda., que vendia material elétrico, hidráulico e de construção em geral. Em 1986, aposentei-me  e em 2001, transferi a empresa com a venda das ações para um comprador que deu continuidade à atividade comercial.  Aqui em Brumado ainda fui Secretário de imprensa e comunicação, no período de abril de 1999 a dezembro de 2000, na gestão do prefeito Edmundo Pereira Santos.

 

Brumado Agora - Como era a vida social do senhor em Brumado? Quais amigos (as) faziam parte do seu cotidiano?

 

Antônio Torres - Bem, eu era comerciantes e como tal, conhecia todo mundo  e todo mundo me conhecia. Tinha muitas amizades, fui sócio do Clube Social, fui convidado para ser Maçom, porque meu pai era Maçom, mas como ele tinha uma vida familiar irregular, a maçonaria o afastou e deu um tempo para que ele se regenerasse. Mais ao invés de se regenerar, ele piorou (risos), ele foi um homem que teve 85 filhos e 30 mulheres, mas apesar de tudo, foi ele quem fundou a maçonaria aqui em Brumado e muitas outras entidades aqui.

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Brumado Agora – Quando teve início a trajetória do senhor como escritor e colunista?

 

Antônio Torres - A trajetória de colunista aconteceu mais ou menos em 1982, com o incentivo do Engenheiro Maurício Lima Santos que, depois de ler uma carta que escrevi reivindicando melhorias para o município de Brumado, me sugeriu escrever para o jornal Tribuna do Sertão, de propriedade dele. Depois passei a escrever para o Jornal do Sudoeste, como polígrafo, fazendo artigos, contos, crônicas e biografias em função das circunstâncias. Sempre me dediquei à leitura, tenho mais de 700 artigos escritos , e hoje me dedico especialmente a biografias, tenho 150 prontas. 

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Brumado Agora – Estamos próximo a realização do Carnaval de Brumado. Qual  paralelo que o senhor faz dos carnavais antigos e os mais modernos?

 

Antônio Torres – Meu pai é um grande exemplos de carnavalescos dos antigos carnavais em Brumado. Ele e Chico Gavião fizeram o primeiro bloco da cidade. Primeiramente era montado em um Jipe, depois em um caminhão. Eles confeccionavam um navio , com uma chaminé, a fumaça deste navio era o talco da Magnesita. Participavam neste período Nely, Ludinha, Telma, Liah, e outras pessoas que se juntavam e todos se fantasiavam de marinheiro , comandante, comissários, sendo este Carnaval na rua, saindo da estação, passava pela Coronel Santos, Exupério Pinheiro Canguçu, Rua do Asfalto e retornava para a Praça, tudo isso com lança perfume, muito confete, serpentina, marchinhas e alegria. Hoje é tudo muito diferente tudo é a base do trio elétrico, infelizmente houve um aumento na violência e não se brinca tanto como nós antigamente, quando nós juntávamos para festejar, com muita alegria e companheirismo.

 

Brumado Agora – O que o senhor espera para o futuro de Brumado?

 

Antônio Torres - Brumado é uma cidade progressista, mas a verdade é que aqui está faltando muita coisa. A gestão anterior trabalhou muito na questão de Educação, Saúde, mas o embelezamento da cidade que é, vamos assim dizer, o carro chefe de uma administração, ficou a desejar. As praças ficaram abandonadas, agora que o novo prefeito está começando a trabalhar. No entanto, temos grande perspectiva com a FIOL , principalmente se aqui se instalar o Porto Seco , será muito bom. Brumado é uma cidade que te possibilita ir para qualquer outra, por ser uma cidade entroncamento de viagem.

 

Brumado Agora – Qual mensagem o senhor gostaria de deixar?

 

Antônio Torres-   Uma mensagem de otimismo. Eu gosto muito de Brumado,  e tenho esperança que esta cidade  seja mais progressista do que já é. Agora, tudo isso vai depender dos administradores, quem tiver esta concepção, de fazer representantes de Brumado na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional, vai conseguir trazer os benefícios para o município. Depende ainda, da união das pessoas em torno de Brumado, e não de partidos políticos. Hoje os partidos políticos perderam as conotações ideológicas, são todos hoje farinha do mesmo saco.

 

O Café com o Brumado Agora é um oferecimento do Hotel Moura e da Genes Academia. Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


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